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Eu e o meu Gato...

Quinta-feira, 25.07.13

Dizem que os gatos pretos dão azar. Eu tenho um gato preto, preto como a noite, como o carvão. Miufa, nome que lhe assenta como uma luva, tem medo até da sua própria sombra. Foi resgatado na rua, abandonado com outros tantos, num caixote. Enquanto corriamos atrás dele, por entre os carros estacionados em plena Lisboa, o Miufa corria, ele pequeno, nós gigantes, ambos com medo. Hoje, após cinco anos daquele dia de correria, o Miufa continua com medo, existem sentimentos que o tempo não cura. Dizem que os gatos pretos dão azar, mais que não seja porque todos achamos que sim, quando todos acreditamos que sim passa a ser uma verdade. Não me parece. 

Abandonado, o Miufa foi abandonado, na rua, dentro de um caixote. Ao chegar a casa o meu gato escondeu-se no buraco do bidé, naquele buraco escuro e húmido. Só conseguia ver os olhos, grandes e aterrorizados daquela pobre criatura. Queria salvá-lo e ele não percebia, queria acarinhá-lo. Deixei-o ficar durante uns minutos. Depois de o conseguir tirar de lá, ao fim de muitos miados, dei-lhe de comer, respeitei o seu espaço, acariciei-o quando deixava. Nunca se aninhou no meu colo, a distãncia era a sua segurança, com o tempo foi-se aproximando, devagar, sem pressas, sem grandes alegrias. Um dia, o miufa saltou para o sofá, e pediu uma carícia, enfiando o seu pequeno focinho na minha mão inerte. Não existe no mundo melhor sensação, a confiança é uma dádiva. 

Tudo na vida é diário, como o Miufa, conquisto-o todos os dias um bocadinho mais, respeito o seu medo e ele respeita o meu, sinceramente acredito que os animais nos escolhem, talvez eu precisasse mais dele do que ele de mim. Aprendi que todos habitamos num caixote qualquer, acompanhados, esperando que alguém nos deixe aninhar, sem medo, num colo qualquer.

"Desconfiânça é a melhor parte do conhecimento."

Mahatma Gandhi

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publicado por caminhosdaalma às 09:34

Finjo que me tens amor...

Sexta-feira, 19.07.13

Despe-me devagar, muito devagar, como se eu fosse vidro frágil. 

Sente-me em ti, profundamente, como a saudade que doí.

Demora-te em mim, lentamente, como desapertasses mil botões. Demora-te em mim. Eu mereço que te demores em mim.

Cega-me de prazer, cega-me os sentidos.

Deseja-me a alma, confunde-me o pensamento, cada pensamento, todos os pensamentos.

Possuí-me, finge que me amas e possuí-me. Quero que finjas que me amas. 

Liberta-te, dá-me, dá-me tudo o que tens, dá-me tudo o que és.

Sussurra-me as palavras, as palavras que entram por mim adentro e retesam o meu ser.

Entra por mim adentro e faz-me gemer os sentidos enquanto te grito por mais. 

Finge que eu não sou eu, eu sou outra que não conheces, não conheces o meu corpo, não conheces a minha alma, não conheces o meu amor. Tu, simplesmente, não me conheces. Esta não sou eu.

Abandonas o meu corpo, pesado e cheio de ti, cheio desse amor fingido.

Depois finje, mais uma vez, que me amas e protege-me do frio, protege-me desse amor que sinto por ti.

Eu continuo a fingir que ainda me amas, mesmo sabendo, que tu não és tu, tu és já de outro alguém.

Eu finjo que me tens amor mesmo sabendo que já não me tens.


"No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam."

Carlos Drummond de Andrade

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publicado por caminhosdaalma às 13:31

A primeira vez para tudo...

Sexta-feira, 05.07.13

- Acho que tenho medo de ser feliz!!!

Foi a primeira vez que ouvi esta expressão. A primeira vez.

- Desejo-te muito, mas...não consigo!!

Também foi a primeira vez que ouvi esta expressão. A primeira vez.

Não existe no mundo melhor cura para qualquer maleita do que o Amor. Amor de verdade. Mas fugir é a melhor opção. Fugimos da cura.

A alma adoece, logo, o corpo adoece.

Estar vivo é um acto de coragem, como o amor é um acto de luz, mesmo que traga dor, mesmo se fôr só um momento, mesmo se fôr só agora. 

"Não consigo" não se diz, pensa-se mas não se diz. Ao pronunciar "Não consigo" destrói-se o pouco que se consegue e é tão pouco que não fica nada, a não ser, o resto do nada. E o resto de nada é muito pouco para se viver. Não se luta, não se arrisca, não se sente, não se ultrapassa o nada. Vegeta-se. 

Não consigo entender, mesmo que faça um esforço, mesmo que não se deva dizer "Não Consigo", a capacidade que o ser humano tem de se diminuir ao nada, quando tem tudo para ser o tudo que sonha.

 

"O medo ergue murros e bandeiras para nos deter" Mafalda Veiga


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publicado por caminhosdaalma às 08:40

Perto do coração...

Terça-feira, 02.07.13

Sou amiga de algumas pessoas que resolveram trabalhar fora do país. Conheci outras, hà pouco tempo que, neste altura, vivem longe de Portugal. Muito longe. Vivem uma tristeza, vivem com Portugal perto do coração.

As palavras são muito importantes, quer na escrita quer na maneira como falamos. Quem está longe utiliza palavras como saudade, amar, longe, trabalho, cheiro, aroma, mar, fé. Todas mexem com os sentidos, com o sentir. Sentir longe de tudo, querendo estar perto, só sentindo.

Todas esperam regressar, todas querem regressar. Não sabem quando. 

Procuramos o sentir quando estamos sós, agarramo-nos a nós mesmos para encontrarmos a força interior, aprendemos a lidar com o nosso interior para sobreviver, sobreviver com uma dor no coração não é nada fácil. Mas lá longe, damos mais valor ao país onde nascemos, a tudo o que nele existe, mesmo que não seja assim tão bom. Fazemos isso através das palavras, essas sim, definem quem nós somos, e quem está lá longe, sem perceber, quase inconscientemente, muda de palavras, muda no fundo do seu ser, e começa a ser, outra pessoa que sente sem pensar. 

Longe, sentem falta das pessoas que cá deixaram, as pessoas sentem falta de pessoas. Com todos os defeitos, virtudes, teimosias. Quando estão longe isso não interessa nada. As pessoas são realmente importantes. 

Longe ou perto, precisamos uns dos outros, sempre.

 

"Não é a distância que mede o afastamento"

Antoine de Saint-Exupéry 

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publicado por caminhosdaalma às 10:31

Responsabilidade...

Segunda-feira, 01.07.13

As mulheres quando se juntam falam sobre tudo, tudo mesmo. E numa dessas conversas, estávamos a falar de relacionamentos, umas diziam que queriam encontrar o homem das suas vidas, outras diziam que é difícil a vida em conjunto e uma delas com uma grave determinação disse.

 

- Não quero ter ninguém por enquanto, não estou disponivel para me responsabilizar pelos sentimentos de outra pessoa.

 

Fiquei a pensar naquilo. Quando amamos alguém de verdade não gostamos de a ver sofrer, tentamos sempre fazê-la feliz, escolhemos as melhores palavras, damos o melhor de nós, deixamo-la partir se essa fôr a sua vontade, pedimos desculpa se agimos menos bem. Responsabilizamo-nos pela sua felicidade.

 

As pessoas estão demasiado egoístas, sedentas de amor mas demasiado egoístas para se responsabilizarem pelo sentimentos dos outros. Querem ser conquistadas, querem ter cem por cento de certezas correndo o mínimo de riscos, preferem a vida cómoda e rotineira para não sofrerem desgostos e traições. 


Pelo menos existem aquelas, como a minha amiga, que assume não querer essa responsabilidade, não só dá trabalho como a maioria dos homens exige o que não pode ou não quer dar, dedicação, compromisso, amor e lealdade. 


"Nunca desista de um amor simplesmente por causa dos obstáculos."

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publicado por caminhosdaalma às 00:42

Arrepios...

Terça-feira, 18.06.13

Em 2004 quando recebemos o campeonato de futebol, na capas das revistas cor de rosa, aparecia Vitoria Beckham a gastar balúrdios de dinheiro nas lojas, e numa dessas revistas aparecia em letras gordas a dizer que Victoria gastava quinhentos euros diários em compras. Na altura, comentei com o homem que era então meu marido:

- Tu já viste eu gastar quinhentos euros por dia?

Respondeu

- Só gastavas uma vez!!!

ao que eu respondi

- Mas quem disse que o dinheiro seria teu?

 

Eu e uma amiga falávamos sobre casamentos, pergunta-me se eu tinha sido feliz, respondi que tive boas alturas e más alturas. De seguida perguntou se passeávamos, se passávamos tempo juntos, respondi que no princípio do casamento viajámos e tiramos alguns dias a sós. Perante isto comentou:

- Ah pelo menos levou-te a passear!

ao que respondi

- Mas ouve lá, sou algum cão?

 

Ficou completamente parva tanto num caso como no outro, mas ainda mais confusa, que as algumas mulheres não tenham mudado de vocabulário, porque é nas palavras que começa a mudança. Quando ouço alguém fazer a típica pergunta: "O teu marido ajuda-te em casa?" dá-se-me um arrepio pela espinha abaixo, só a palavra "ajudar" me complica com o sistema nervoso, parte-se do principio que o senhor que habita na mesma casa que a mulher, "se puder" te dá uma mãozinha, se não tiver mais nada que fazer. Oh santa paciência.

 

"Se descobrirmos que não podemos ajudar os outros, o mínimo que podemos fazer é desistir de prejudicá-los."

Dalai Lama

 

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publicado por caminhosdaalma às 22:55

Receita para se ver livre de um idiota...

Domingo, 16.06.13

Por todas as razões, iniciámos o ano de 2013 fazendo cortes nas despesas. Cortámos nas saídas à noite, cortámos nos pequenos almoços no café, cortámos no vestuário, cortámos no supermercado e por aí fora. Fomos obrigados a seleccionar para vivermos melhor.

Por todas as razões e mais algumas fui "obrigada" a "cortar" nas amizades porque não eram verdadeiras, percebi que algumas pessoas não me faziam falta.

Receita rápida para "cortar" uma amizade:

1º Passo

Esperar pela altura certa. Esperar que o amigo se arme em esperto, ou seja, deixe-o iniciar a conversa de chacha.

2º Passo

Perceba se a conversa contínua mesmo se você tentar mudar de assunto. Se você sentir que se está a enervar respire fundo, passe-lhe a pá, sentirá um agradecimento por parte do amigo, cavará o buraco mais depressa e não se aperceberá.

3º Passo

Insista e mexa novamente voltando a referir que o assunto já passou e está tudo bem para si. Se o amigo contínua a não parar de falar e ainda por cima vai ao passado buscar outros assuntos, não ligue, isso quer dizer que o preparado

levantou fervura e o buraco está pronto para a introdução do corpo.

4º Passo

Quando sentir o cheiro aveludado de queimado, apague o lume e deixe-o repousar. O moribundo não se apercebe e fica quentinho durante mais uns minutos. Desinforme, utilize a pá e barre com creme de areia, bata um pouco na terra para acentar e coloque a cruz por cima.

Ore e agradeça por tudo o que esse amigo fez por si no passado e vice-versa.

Dê meia volta e regresse aos assuntos importantes da sua vida.

 

 

"A mulher mais idiota pode dominar um sábio. Mas é preciso uma mulher extremamente sábia para dominar um idiota."

Rudyard Kipling

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publicado por caminhosdaalma às 03:58

O Tempo...

Terça-feira, 04.06.13

Com o tempo, que só contabilizamos quando acontecem situações que temos que fazer contas, deixei de ter vontade de escrever com alguma assiduidade. Poderia encontrar imensas razões por não o ter feito, por causa do trabalho, dos filhos, da vida, mas não, sei que não foi devido a estas razões embora tivessem peso. Também não foi devido à falta de inspiração, que por vezes aparece e muito menos por falta de assunto. Existem alturas que nos entristecem de tal maneira que não conseguimos transpor para o papel uma única palavra.

Dei-me conta, ontem enquanto conduzia, que estava assim, triste, há seis meses. Tive que contabilizar. Deixei-me ir, sem perceber. 

Os sentimentos não desaparecem de um dia para o outro, e quando menos esperamos, desligamo-nos de algumas coisas que hoje não me parecem muito importantes. Deixei-me ir e fechei-me. Não gostei desta sensação de me fechar. Fechei-me para sofrer por dentro, e consegui que ninguém se apercebesse. No fundo só refletimos o que queremos. Os outros só sabem o que nós queremos que se saiba. 

Acabou. Quando o amor acaba sem razão plausível, ficamos à espera de encontrar, no caminho, os motivos verdadeiros do fim e, muitas vezes, não existem razões, apenas acaba. Ficamos a pensar se nos enganámos, se nos enganaram, se procedemos bem ou não, e não vale a pena. Certo é, que as pessoas fogem, seja por medo, por falta de ambição ou mesmo por cobardia, mas ninguém foge por falta de amor. 

Hoje acabou.

"O tempo é o melhor autor; sempre encontra um final perfeito."Charles Chaplin


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publicado por caminhosdaalma às 13:07

Falam da Crise...

Segunda-feira, 06.05.13

Tenho pouco tempo para ver televisão, tento manter-me informada através da internet, pelos jornais e alguns sites.

Todos concordamos que Portugal está num caminho difícil, todos sabemos que a vida dos portugueses está a piorar de dia para dia, a falta de emprego, a falta de dinheiro, a fome, é tudo muito triste. O que eu não consigo entender são os comentários que algumas pessoas são capazes de fazer quando imitem a sua opinião sobre um assunto que outro alguém escreveu. Se lerem com atenção, cada palavra escrita equivale a uma bala de canhão, não falando na linguagem de muito baixo nível razando a pouca vergonha. Insultos vergonhosos. Depois, ao fim de meia dúzia de comentários o assunto da conversa muda e nada tem a ver com o post publicado pelo autor, são comentários sobre o comentário anterior, as pessoas acabam por discutir, comentário a comentário como se de uma discussão presencial se tratasse, fico a imaginar cada pessoa à espera, com os nervos em franja, o momento em que a caixinha aparece na sua janela para rapidamente e com toda a agressividade atacar sem dó nem piedade o comentário anterior. O mais triste é perceber que estes "comentadores" são pessoas que até têm discursos articulados, utilizando por vezes palavras de quinhentos euros, querendo mostar uma sabedoria que no fundo caí por terra, quando a falta de educação impera.

Todos temos direito a opinião mas faz toda a diferença cingirmo-nos simplesmente a isso mesmo, já que estamos todos no mesmo barco e cada um sente as dificuldades à sua maneira, nem pior nem melhor. E por favor, alguma educação e respeito.

"Os homens não têm muito respeito pelos outros porque têm pouco até por si próprios. (Leon Trotsky)

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publicado por caminhosdaalma às 13:12

Carta à Minha Filha...

Sexta-feira, 03.05.13

 

Nasci filha. Filha de duas pessoas com educações completamente diferentes. Como tu queria ser crescida, independente, achava que não precisava de ninguém e que ninguém me percebia. Aprendi algumas coisas da pior maneira e muitas outras ainda as estou a aprender.

Quando tu nasceste, à praticamente dezoito anos, respirei amor verdadeiro e incondicional. Não há palavras para descrever tamanha emoção. Como já deves ter ouvido um milhar de vezes, começamos a fazer, dizer, sentir tudo de outra maneira, passamos a ser responsáveis por uma vida e muitas coisas perdem o valor e ficamos para segundo plano. Não é mau é apenas duro e dificil ser mãe. Até hoje aprendi a ser mãe de uma menina com idades diferentes, todos os anos eram anos em que aprendia a ser mãe de muitas maneiras consoante a idade que tu tinhas. Ensinar-te e orientar-te é e será das responsabilidades mais complicadas que terei de fazer, não só porque tu esperas que eu tenha sempre um resposta para te ajudar como será assustador pensar que te possa dizer algo que na prática pode não funcionar. Não existe um manual para ser mãe e ninguém nos ensina a melhor maneira de o ser.

Sou mãe de uma mulher crescida que me ensina a olhar e a ver muitas coisas que eu como filha já não me lembrava, que me chama a atenção quando fico distraída com as dificuldades da vida. 

Sou mãe de uma rapariga que me chateia, que me faz rir, que acha que sabe tudo sobre todos os assuntos e que vai ser uma mulher de sucesso.

Sou mãe e estou orgulhosa de ti, és inteligente, bem disposta, estudiosa e ás vezes teimosa e casmurra.

Hoje quero dizer-te que estou cá para ti, amanhã também e depois de amanhã também e se por algum acaso não estiver, lembra-te que acima de tudo, todos cometemos erros, todos temos direito a ter segundas oportunidades, até porque ninguém é perfeito. Amanhã serás mãe e concerteza, mesmo sem me dizeres irás saber que a última coisa que queremos é magoar quem amamos. E eu amo-te.

"Paciência de mãe é como a pasta de dentes, sobra sempre um bocadinho"

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publicado por caminhosdaalma às 23:11





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