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Quase verdade...

Sexta-feira, 26.07.13

Em pequeno era comilão, dorminhoco, sorridente e calado. Tentava conversar sobre o seu dia, fazia-lhe perguntas, o resultado era sempre o mesmo - Oh mãe, não me apetece falar - acredito que não era por estar aborrecido, era talvez porque acordava cedo e estava cansado. Mas um dia, sem eu estar à espera, entrou dentro do carro e a conversa começou:

- Oh mãe sabes que morreu aqui um cavalo? - Colocava as pequenas mãos nos braços da cadeirinha.

- Um cavalo? - deve ter sonhado, pensei. 

- Sim mãe, um cavalo!- Estava tão excitado.

- Então como é que o cavalo morreu? - Olhei pelo retrovisor, queria ver a sua reacção.

- Foi atropelado por um carro. -Ali perto existia um centro hipico, talvez fosse verdade. 

- Então se o cavalo foi atropelado e morreu, quem é que o veio buscar? 

- Os bombeiros, olha! - Talvez fosse verdade e eu aqui a desconfiar do miúdo. Sentia-me mal por não acreditar nele.

- Mas tu viste, filho? - Já eu estava entusiasmada com a história.

- Sim mãe, claro que vi. - Já estava chateado comigo por não acreditar naquela história. Coitado do miúdo.

- Ias no carro com o pai? 

- Não ia com o pai, mas ia de carro. - Agora é que fiquei aflita, se não estava com o pai, estava com quem?

- Então se não ias com o pai, em que carro é que ias? 

- Ora, ia no meu descapotável!!!

 

Tive que parar o carro, não conseguia conduzir, ria-me a bom rir. Esta conversa foi a melhor troca de palavras que tive com o meu filho, tinha cinco anos. Esta criatura gosta de histórias. Concerteza que uma parte da história do cavalo era verdadeira, outra parte ele não sabia como tinha acabado e o descapotável, bem, o pai dele tinha um naquela altura. 

Amanhã é o teu dia, hoje continuas a ser aquela criança que contava histórias e que me fazias, orgulhosamente, rir. Treze anos de orgulho, felicidade e histórias. Amo-te.

"Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida."

Sófocles

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publicado por caminhosdaalma às 10:49

Eu e o meu Gato...

Quinta-feira, 25.07.13

Dizem que os gatos pretos dão azar. Eu tenho um gato preto, preto como a noite, como o carvão. Miufa, nome que lhe assenta como uma luva, tem medo até da sua própria sombra. Foi resgatado na rua, abandonado com outros tantos, num caixote. Enquanto corriamos atrás dele, por entre os carros estacionados em plena Lisboa, o Miufa corria, ele pequeno, nós gigantes, ambos com medo. Hoje, após cinco anos daquele dia de correria, o Miufa continua com medo, existem sentimentos que o tempo não cura. Dizem que os gatos pretos dão azar, mais que não seja porque todos achamos que sim, quando todos acreditamos que sim passa a ser uma verdade. Não me parece. 

Abandonado, o Miufa foi abandonado, na rua, dentro de um caixote. Ao chegar a casa o meu gato escondeu-se no buraco do bidé, naquele buraco escuro e húmido. Só conseguia ver os olhos, grandes e aterrorizados daquela pobre criatura. Queria salvá-lo e ele não percebia, queria acarinhá-lo. Deixei-o ficar durante uns minutos. Depois de o conseguir tirar de lá, ao fim de muitos miados, dei-lhe de comer, respeitei o seu espaço, acariciei-o quando deixava. Nunca se aninhou no meu colo, a distãncia era a sua segurança, com o tempo foi-se aproximando, devagar, sem pressas, sem grandes alegrias. Um dia, o miufa saltou para o sofá, e pediu uma carícia, enfiando o seu pequeno focinho na minha mão inerte. Não existe no mundo melhor sensação, a confiança é uma dádiva. 

Tudo na vida é diário, como o Miufa, conquisto-o todos os dias um bocadinho mais, respeito o seu medo e ele respeita o meu, sinceramente acredito que os animais nos escolhem, talvez eu precisasse mais dele do que ele de mim. Aprendi que todos habitamos num caixote qualquer, acompanhados, esperando que alguém nos deixe aninhar, sem medo, num colo qualquer.

"Desconfiânça é a melhor parte do conhecimento."

Mahatma Gandhi

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publicado por caminhosdaalma às 09:34

Finjo que me tens amor...

Sexta-feira, 19.07.13

Despe-me devagar, muito devagar, como se eu fosse vidro frágil. 

Sente-me em ti, profundamente, como a saudade que doí.

Demora-te em mim, lentamente, como desapertasses mil botões. Demora-te em mim. Eu mereço que te demores em mim.

Cega-me de prazer, cega-me os sentidos.

Deseja-me a alma, confunde-me o pensamento, cada pensamento, todos os pensamentos.

Possuí-me, finge que me amas e possuí-me. Quero que finjas que me amas. 

Liberta-te, dá-me, dá-me tudo o que tens, dá-me tudo o que és.

Sussurra-me as palavras, as palavras que entram por mim adentro e retesam o meu ser.

Entra por mim adentro e faz-me gemer os sentidos enquanto te grito por mais. 

Finge que eu não sou eu, eu sou outra que não conheces, não conheces o meu corpo, não conheces a minha alma, não conheces o meu amor. Tu, simplesmente, não me conheces. Esta não sou eu.

Abandonas o meu corpo, pesado e cheio de ti, cheio desse amor fingido.

Depois finje, mais uma vez, que me amas e protege-me do frio, protege-me desse amor que sinto por ti.

Eu continuo a fingir que ainda me amas, mesmo sabendo, que tu não és tu, tu és já de outro alguém.

Eu finjo que me tens amor mesmo sabendo que já não me tens.


"No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam."

Carlos Drummond de Andrade

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publicado por caminhosdaalma às 13:31

A primeira vez para tudo...

Sexta-feira, 05.07.13

- Acho que tenho medo de ser feliz!!!

Foi a primeira vez que ouvi esta expressão. A primeira vez.

- Desejo-te muito, mas...não consigo!!

Também foi a primeira vez que ouvi esta expressão. A primeira vez.

Não existe no mundo melhor cura para qualquer maleita do que o Amor. Amor de verdade. Mas fugir é a melhor opção. Fugimos da cura.

A alma adoece, logo, o corpo adoece.

Estar vivo é um acto de coragem, como o amor é um acto de luz, mesmo que traga dor, mesmo se fôr só um momento, mesmo se fôr só agora. 

"Não consigo" não se diz, pensa-se mas não se diz. Ao pronunciar "Não consigo" destrói-se o pouco que se consegue e é tão pouco que não fica nada, a não ser, o resto do nada. E o resto de nada é muito pouco para se viver. Não se luta, não se arrisca, não se sente, não se ultrapassa o nada. Vegeta-se. 

Não consigo entender, mesmo que faça um esforço, mesmo que não se deva dizer "Não Consigo", a capacidade que o ser humano tem de se diminuir ao nada, quando tem tudo para ser o tudo que sonha.

 

"O medo ergue murros e bandeiras para nos deter" Mafalda Veiga


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publicado por caminhosdaalma às 08:40

Perto do coração...

Terça-feira, 02.07.13

Sou amiga de algumas pessoas que resolveram trabalhar fora do país. Conheci outras, hà pouco tempo que, neste altura, vivem longe de Portugal. Muito longe. Vivem uma tristeza, vivem com Portugal perto do coração.

As palavras são muito importantes, quer na escrita quer na maneira como falamos. Quem está longe utiliza palavras como saudade, amar, longe, trabalho, cheiro, aroma, mar, fé. Todas mexem com os sentidos, com o sentir. Sentir longe de tudo, querendo estar perto, só sentindo.

Todas esperam regressar, todas querem regressar. Não sabem quando. 

Procuramos o sentir quando estamos sós, agarramo-nos a nós mesmos para encontrarmos a força interior, aprendemos a lidar com o nosso interior para sobreviver, sobreviver com uma dor no coração não é nada fácil. Mas lá longe, damos mais valor ao país onde nascemos, a tudo o que nele existe, mesmo que não seja assim tão bom. Fazemos isso através das palavras, essas sim, definem quem nós somos, e quem está lá longe, sem perceber, quase inconscientemente, muda de palavras, muda no fundo do seu ser, e começa a ser, outra pessoa que sente sem pensar. 

Longe, sentem falta das pessoas que cá deixaram, as pessoas sentem falta de pessoas. Com todos os defeitos, virtudes, teimosias. Quando estão longe isso não interessa nada. As pessoas são realmente importantes. 

Longe ou perto, precisamos uns dos outros, sempre.

 

"Não é a distância que mede o afastamento"

Antoine de Saint-Exupéry 

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publicado por caminhosdaalma às 10:31

Responsabilidade...

Segunda-feira, 01.07.13

As mulheres quando se juntam falam sobre tudo, tudo mesmo. E numa dessas conversas, estávamos a falar de relacionamentos, umas diziam que queriam encontrar o homem das suas vidas, outras diziam que é difícil a vida em conjunto e uma delas com uma grave determinação disse.

 

- Não quero ter ninguém por enquanto, não estou disponivel para me responsabilizar pelos sentimentos de outra pessoa.

 

Fiquei a pensar naquilo. Quando amamos alguém de verdade não gostamos de a ver sofrer, tentamos sempre fazê-la feliz, escolhemos as melhores palavras, damos o melhor de nós, deixamo-la partir se essa fôr a sua vontade, pedimos desculpa se agimos menos bem. Responsabilizamo-nos pela sua felicidade.

 

As pessoas estão demasiado egoístas, sedentas de amor mas demasiado egoístas para se responsabilizarem pelo sentimentos dos outros. Querem ser conquistadas, querem ter cem por cento de certezas correndo o mínimo de riscos, preferem a vida cómoda e rotineira para não sofrerem desgostos e traições. 


Pelo menos existem aquelas, como a minha amiga, que assume não querer essa responsabilidade, não só dá trabalho como a maioria dos homens exige o que não pode ou não quer dar, dedicação, compromisso, amor e lealdade. 


"Nunca desista de um amor simplesmente por causa dos obstáculos."

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publicado por caminhosdaalma às 00:42





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